segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

MANHÃ DE ESPIRITUALIDADE

Para refletir sobre a Liberdade Interior, nesta manhã de sábado, dia 19/2/2011, o grupo presente contou com a orientação de Conceição Rocha. A atividade teve início às 8:40 com a presença de 15 pessoas, entre elas os seminaristas do Seminário São Joao Maria Vianey. Após a invocação ao Espírito Santo, foi proclamado o Salmo 144 e, em seguida, coube a cada pessoa destacar qual o versículo com que mais se identificou.
A importância que as pessoas devem dar à liberdade interior foi ressaltada durante o primeiro momento do encontro. Uma pessoa que gosta muito de pimenta e deixa de usá-la nos alimentos durante a quaresma, como penitência, foi um dos exemplos citados por Conceição para ilustrar como algumas pessoas procuram disciplinar sua “vontade” e não se deixar escravizar pelo desejo. Em seguida, a orientação foi baseada no texto escrito por padre James Roberto SJ, o qual destaca os seguintes pontos: Permanecer em Jesus Cristo, Liberdade x Carne e alguns questionamentos:
- Como anda minha liberdade? Como eu a entendo?
- Sou livre mesmo quando minha vontade não é feita?
- Busco Jesus Cristo, o “Modelo de Liberdade”?
Prossegue, refletindo que São Paulo, na primeira Carta aos Coríntios afirma: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (6,12). Assim, nos faz perceber que, dentro deste mundo cheio de opções para consumir, para se divertir, para “viver”, nós temos a liberdade, o livre arbítrio para fazer ou não o que desejarmos.
Entretanto, quando estamos em comunhão com Deus e deixamos nos guiar pela Luz do Espírito Santo, tendo Jesus Cristo como modelo: Caminho, Verdade e Vida, jamais seremos escravos do consumo, do egoísmo. A vida não é uma prisão, mas as possibilidades que nos são oferecidas devem ser bem estudadas, refletidas e discernidas para que as escolhas sejam, não só adequadas ao nosso bem estar, mas ao bem comum. E, uma vez feita a opção, estejamos inteiros para realizar o plano de Deus com a mesma alegria de Jesus Cristo durante sua vida.
Homens e mulheres criados à imagem e semelhança de Deus são chamados à liberdade que Santo Inácio chama de “Indiferença”. "... é necessário fazer-nos indiferentes" (EE 23); “desejar e escolher somente o que mais nos conduz ao fim para que somos criados" (EE 23). As nossas ações cotidianas devem ser fruto da presença do Amor de Deus em cada um de nós. Na comunhão com Deus, nós, cristãos católicos, devemos nos comprometer conosco, com o Outro e com o Mundo para que a humanidade tenha um futuro digno.
Milton Nascimento afirma ser UTOPIA viver em comunhão e expressa seu desejo da seguinte forma:
“...eu quero sempre a utopia:
o homem tem de ser comunhão
a vida tem de ser comunhão
o mundo tem de ser comunhão
a alegria do vinho e pão
o pão e o vinho enfim repartidos..”.
(disco "Ãnima", Ariola, 1982)
Após a explicação do texto, Conceição leu o roteiro para fazer o “Encontro pessoal com o Senhor”, desde a busca de um lugar que nos ajude a rezar até a oração final, onde se destaca a palavra, frase, versículo que mais tocou, o sentimento que isto desperta e o apelo que isto me faz, ou seja: a que sou chamado? Ainda foi destacada a importância da CONTEMPLAÇÃO e da PARTILHA, esta, que instrui e irmana.
Os textos indicados para oração pessoal foram: Ex 3, 12; Jo 8,31-32; Rm4; Gl 4, 21-31, 2Cr3,17; Gl5,13. Tivemos 40 minutos; após este período, fizemos a partilha e o encerramento com a Celebração Eucarística presidida por Padre Marcelino SJ.
(Cesarina)

Colégio Antônio Vieira celebra 100 anos a serviço da educação


Alegria, história e celebração da fé nas comemorações do centenário

No dia 15 de março, o Colégio Antônio Vieira celebra seu centenário a serviço da educação baiana. Uma trajetória marcada pela interação fundamental com as famílias e pelo compromisso com os princípios educativos jesuítas. Para comemorar seu século de existência, o Colégio promoverá diversas ações por todo o ano, envolvendo alunos, ex-alunos, professores e funcionários. A abertura das festividades acontece com a Semana de Aniversário do Vieira, que reúne eventos entre 15 e 19 de março.
As homenagens do dia 15 (terça-feira) se iniciam com a oração de todos os alunos, professores e funcionários do Colégio, celebração a ser realizada às 7h no Santuário Nossa Senhora de Fátima. Depois, às 9h, a comunidade vieirense se reúne, na área externa do Colégio, para a inauguração do monumento “Árvore dos 100 anos”, obra da artista plástica Nanci Novais que celebra as gerações de religiosos, profissionais e estudantes que contribuíram com a história do Vieira. Em seguida, as atenções se voltam para a abertura da “Cápsula do Tempo”, compartimento em que foram reunidos documentos e relíquias do início do século XX, depositados durante o lançamento da pedra fundamental do atual prédio do Colégio. Os alunos darão sequência às festividades durante a tarde e a noite de terça-feira.
Na quinta-feira, 17 de março, os vereadores de Salvador prestam homenagem ao Colégio Antônio Vieira em sessão especial no auditório da Câmara. O evento, que acontece às 19h, registra a colaboração dessa obra jesuíta na formação da sociedade baiana. Dia 19 de março (sábado), às 18h30min, o Santuário Nossa Senhora de Fátima sedia a missa em ação de graças pelo centenário do Vieira, que contará com a presença de alunos, ex-alunos, religiosos, professores, funcionários e seus familiares.
Para os próximos meses, outros eventos estão agendados, como o lançamento, em maio, do livro “Colégio Antônio Vieira (1911 - 2011) – Vidas e Histórias de uma Missão Jesuíta”, publicação que integra a caminhada do Colégio com os passos da cidade do Salvador. Elaborado pelos historiadores Waldir Oliveira e Edilece Couto, o livro traz a trajetória dessa obra jesuíta associada com a própria história do país, colaborando positivamente para uma leitura harmoniosa do último século. Destaque também para a caminhada ecológica do Vieira, que contará com o plantio de 100 mudas de árvores pela cidade, contribuindo com a arborização da cidade e o futuro dos soteropolitanos.

Setor de Comunicação (SECOM)
Jornalista responsável: Aidil Brites (DRT nº2619)
Contatos: 8227-6914 / 3328-9554.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

RETIRO no CIES


Nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro, participamos do retiro em regime de externato, uma experiência à luz da temática “A Criação geme em dores de parto (Rm8,22)”, lema da Cf 2011, que aprofundamos com base no questionamento inaciano O que fiz? O que faço? O que farei?, articulando, também, com o Princípio e Fundamento e o EE Duas Bandeiras.
Iniciamos com a Celebração Eucarística presidida por Pe. James SJ; após as recomendações e orientações metodológicas, assistimos ao DVD da Cf 2011, cujo texto e imagens convocam à reflexão e impulsionam à mudança de hábitos, atitudes e comportamento. Fomos informados de que a interação de cada participante com este conteúdo faria emergir, como ressonância, a “matéria” para a oração da noite, acrescida do texto bíblico Sb 9,1-12.
A manhã de sábado (bela e ensolarada) foi propícia à oração do Sl 89(88),1-17, da contemplação orientada cujo objetivo era, com os olhos da imaginação, ver, ouvir, participar e tirar proveito da Criação segundo o Projeto de Deus, ou seja, o Mundo como Deus o criou. Aprofundamos este momento em oração pessoal com os capítulos 1 e 2 do livro do Gênesis, finalizando com a contemplação da natureza vista do próprio CIES e cantando o Hino da Cf 2011.
No turno vespertino, a proposta foi: a) contemplar o mundo hoje, a partir de um painel cujas imagens retratavam a intervenção desastrosa do homem e suas trágicas consequências, sinais dos gemidos da Criação; b) meditar e aprofundar o conteúdo do cartaz da CF, que remete para 02 planos: sinais de vida e morte; c) inserir, na oração, o questionamento: O que fiz? O que faço? O que farei? , abrindo possibilidades para refletir sobre nossas escolhas e sobre o uso que fazemos das outras coisas, lembrando Santo Inácio quando afirma: As outras coisas sobre a face da Terra são criadas para o ser humano e para o ajudarem a atingir o fim para o qual é criado (EE23). Encerramos com um momento penitencial e a Celebração Eucarística.
No domingo, em sintonia com o Ver→Julgar→Agir, a proposta foi pedir ao Espírito Santo para fazer brotar, em nossos corações, o desejo de colaborar para que a Humanidade se aproxime mais do Projeto do Criador, assumindo atitudes que levem à mudança na nossa relação com o Criador e com a sua criação. O convite foi para cada um examinar a sua realidade pessoal, familiar, profissional, comunitária e eclesial, indagando: o que farei face a esta criação que geme em dores de parto?
Assim, voltando-nos para a Boa Nova, Jesus Cristo, que se encarnou para mostrar que é o Caminho, tem a Verdade e só Ele poderá levar à Vida em plenitude, utilizamos o Princípio e Fundamento dos EE Inacianos para iluminar a nossa reforma de vida, com os seguintes textos bíblicos: Is 30, 18-26; Dt 11,26-28 e o Sl1.
Aberto o espaço para a partilha, socializamos os apelos que afloraram e o primeiro compromisso do Grupo foi de engajar-se nesta Campanha da Fraternidade a partir da sua realidade pessoal, buscando intervir positivamente no seu cotidiano. Encerramos com a Celebração Eucarística presidida por Pe. Adílson, SJ. (veja as fotos no slide)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ecos da Assembleia da Pr. BNE


Eu havia participado da Assembléia anterior, em 2007. Desta vez, entretanto, logo uma coisa me tomou de assalto: havia poucas cabeças brancas, mesmo considerando a prerrogativa feminina de pintar os cabelos, porque o número de homens era infinitamente maior. Era óbvio que a idade dos participantes mudara muito. Foi uma assembleia com um número significativo de jovens.
Durante a primeira parte, esteve o Pe. Cavassa que, terminado o retiro que pregou para os jesuítas da Província, permaneceu e fez uma apresentação sobre o papel da CEPAL. Na segunda parte, chegou o Pe. Carlos Palácio, Provincial do Brasil, que falou com muita objetividade e transparência sobre o pedido do Pe. Geral para que o Brasil se tornasse, em breve, uma única província. Expôs enormes desafios, não ocultou grandes dificuldades e recordou os princípios que nortearam Santo Inácio e os primeiros companheiros, deixando claro que não havia um projeto pronto, e sim, uma grande abertura para que fosse construído com a colaboração e a oração de todos.
Muito forte foi a convocação a que cada membro da Companhia de Jesus se sinta parte de um só corpo, embora engajado em distintas missões e diferentes partes do mundo. Instou sobre a necessidade de que cada jesuíta se sinta ligado, também, pelo interesse por todas as obras. Obviamente, nós, os leigos, que nos movemos como colaboradores, contratados ou voluntários, nos vemos também tocados pela convocação, mormente se de fato já participamos de um corpo que vive a espiritualidade inaciana, centrada em Jesus Cristo.
Cada comissão da Província do Brasil Nordeste se reuniu para avaliar as metas alcançadas por seu setor e discutir o que manter, onde e como inovar no próximo triênio. Foi muito bom reencontrar o grupo do setor de espiritualidade e percebi que a mesma satisfação permeava os outros grupos de trabalho.
Um ponto me deixou particularmente feliz: a naturalidade com que os mais jovens expuseram seus pontos de vista e a atenção com que foram todos escutados.
A noite cultural encantou, descontraiu e alegrou o grupo. Enfim, o ambiente foi de seriedade envolvida em verdadeira fraternidade.
(Lêda, janeiro 2011)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Hosanas ao Novo Provincial!

A alegria inundou nossos corações quando recebemos a notícia de que o Pe. Miguel havia sido nomeado Provincial da Província Brasil Nordeste da Companhia de Jesus.

Entre as diversificadas missões já assumidas, que o capacitam para esta, mais recente e desafiadora, Pe. Miguel também foi Diretor do CIES de Salvador, no período de 2000 a 2004. Naquela oportunidade, foi-nos concedida a graça de fazer a experiência da convivência alegre, da espiritualidade recheada de música e poesia, do fazer administrativo com leveza, sensibilidade e dedicação, marcas do ser e agir deste jesuíta que agora acolhemos como Padre Provincial.

Na certeza de que estamos inseridos e comprometidos com a sua missão, transcrevemos, aqui, a sua primeira correspondência após a notícia do provincialato:

“Companheiros queridos,

Ontem de manhã bem cedo, subi o Morro da Conceição. Fui entregar a Nossa Senhora, arranjados como num maço de flores, o turbilhão de sentimentos experimentados desde a manhã do dia anterior, quando me foi comunicada a escolha do Pe. Geral. Na verdade, fui pedir à padroeira para me ajudar a lidar com esta nova situação. Ninguém como ela entende de pedidos assim grandes, quando o Mistério dialoga com a nossa pequenez. Misturado à multidão, na praça do alto do Morro, sob o sol de dezembro, o único pedido que me vinha ao coração, como um mantra, era: “Dá-me a tua Graça, é só isso que eu quero e preciso”. Peregrino, como Santo Inácio no alto do morro, coloquei aos pés da Virgem o meu desejo de ser um humilde servo da glória e do amor de Deus.

Nestes dois últimos dias, tenho experimentado uma paz que eu não imaginava ser possível, diante de desafio tão grande. Esta serenidade, tenho certeza, é fruto do amor de Deus, de sua Graça abundante que toma conta de mim. A chuva de e-mails, torpedos, telefonemas e abraços que me chegam nestes dias é como uma rede de bênçãos, que me traz a segurança que preciso para dizer sim a Deus sem medo. Obrigado pelo carinho e a amizade de todos. Não foi esta a mesma experiência que sustentou os sonhos daqueles estudantes de Paris, tantos séculos atrás? Tenho consciência dos desafios que tenho pela frente. Mas também tenho a consciência de que os enfrentaremos juntos. Isto sim, me consola.”

Grande abraço a todos!
Em Cristo, Companheiros.
Miguel sj

domingo, 5 de dezembro de 2010

DEUS ÍNTIMO E AMANTE


Todos os dias Ele rasga o céu e entra no mundo, pequeno e nu.
Precisado de nós, come o pão que o diabo amassou, trôpego e embriagado pelo PAI, qual ébrio nas madrugadas.
Anuncia o Reino, mas aparenta ser plebeu e pobre que nem Jó.
Sua divindade contaminada de carne humana, na nossa carne torna-se Deus com a nossa cara, nossos achaques, nossas mortes e ressurreições de cada dia.
Ele é o Nosso Senhor, mas tão íntimo parece outro Eu conosco, de quem não é ocultado o que de nós mesmos se oculta.
Quando nos esquecemos de Lhe abrir a porta, senta-se no batente e espera que sintamos sua falta. Então, entra e faz a festa, serve-nos sua Palavra, às vezes guardada, pois Ele soube antes que precisaríamos dela e por acaso abriríamos a gaveta...
Ele não nos deixa na penúria: investe nossos bens espirituais, poupando em nossa alma uma ou outra jaculatória, como “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”, promessa sussurrada que nos convence: dormimos em paz como criançinha no colo materno! Oh, tesouro de que tanto precisamos!
Se pedimos, aconselha-nos o jeito, a busca, a renúncia, falar ou silenciar.
Espera cem anos até ser escutado. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebra o caniço rachado, não extingue a mecha que ainda fumega (Is. 42, 2-3).
No cansaço, carrega conosco nossa cruz de gravetos e nos fortalece com o Pão e com o Vinho, alimentos que nos oferece.
Quando nos achegamos arrependidos, esconde-nos o rosto na curva de seu ombro antes que possamos dizer, pois se há algo que O aborrece é ouvir-nos falar mal de alguém, ainda que seja de nós próprios.
Sendo nós tão livres e Ele tão definitivamente colado em nós, torna-se cúmplice de nossos delitos. Qualquer tribunal humano condenaria um Deus assim, razão de suas cicatrizes que nos recordam uma cruz...
Sabendo-O ferido, quem sabe queiramos cuidar Dele, beijar-Lhe a face, declarar nosso amor. Mas, então, sutil e firmemente, Ele desviará nossas mãos e nosso olhar para o mundo, onde Ele tem várias caras e donde nos olha, espera, chora e ri.
Se nos deixamos atrair, celebramos o Natal, nós e Ele, em todos.
Hoje, amanhã, e depois também.

Nas alegrias e consolações do natal cotidiano,
a feliz celebração do Advento e do Natal Santo.

Iranaia – Natal 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Preparação para o Natal


No dia 27 de novembro, realizamos a nossa manhã de espiritualidade em preparação ao Natal que se aproxima, orientados por Ir. Epifânio (jesuíta), que trabalhou a temática “As presenças no Natal de Jesus e em meu Natal”.
Neste sentido, trouxe-nos a proposta de fazer a experiência dupla do caminho de ida e volta, sentindo, percebendo e saboreando o ontem que se fez história e o hoje que nos configura e aponta o futuro.
Lembrou-nos, ainda, que oração é encontro, o encontro de Deus conosco, por isso, é a partir da Encarnação que nos preparamos para o Natal. E ressaltou: se meu espírito está bem, fico mais atento/a e tenho mais disposição para ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. Sugeriu focalizar a dimensão do encontro e perceber as relações, encontrar com as pessoas e captar a essência, pois é na relação com o outro que nos conhecemos e crescemos.
Então destacou: Jesus nasce! Ele vem ao encontro e as pessoas vão a Ele. Os pastores vão a Jesus e Jesus os acolhe. Os anjos vêm aos pastores e anunciam que Jesus nasceu: eles dão a notícia, fazem o anúncio, dão pistas, falam a Boa Nova: Nasceu para vocês um Salvador! O que vocês vão fazer com esta notícia? Vão continuar iguais? Os anjos apresentam a realidade, não fazem o convite para ir ver Jesus. O convite brota nos pastores, que deixam o seu cotidiano, a sua realidade, e decidem ir ao encontro de Jesus. (Lc 2, 1-20).
Recordando-nos o sentido das Oitavas do Natal, Ir. Epifânio justificou a escolha de dois textos que dão continuidade à experiência do Natal e possibilitam perceber a ressonância da festa, do acontecimento. Lc 2, 25-35, é a passagem em que Jesus vai ao Templo, vai dedicar-se a Deus e vemos o encontro com Simeão, homem que esperava... Quando Jesus vem, acaba a espera de Simeão: só faltava isso e aconteceu hoje... Hoje se realizou. Jesus faz mudar a identidade: Simeão já não é mais aquela que espera, mas aquele que encontrou.

Em Lc 2, 36-40, temos o encontro, no Templo, com a profetisa Ana, mulher que se dedicava totalmente a Deus. Já aqui, vemos que Jesus não faz distinção de gênero, encontrava-se com homens e também com mulheres. Este encontro traz a motivação interna, a identidade desta mulher muda confirmando: só precisa encontrar com Ele e plenificar.
No segundo momento, Ir. Epifânio destacou que, anteriormente, havíamos utilizado textos bíblicos e literários, pois houve referência a Drummond e Adélia Prado. Agora, com o coração já aquietado, porque contemplamos a realidade divina, buscando dela tirar proveito para quando vivenciarmos situações similares em nossa vida cotidiana, utilizaremos como texto para a oração pessoal a nossa própria vida.

Então, propôs-nos fazer o caminho de volta: colocar Jesus e toda a Corte Celestial nos referenciais do nosso Natal pessoal, numa analogia a “Um Conto de Natal” de Charles Dickens. Assim, em oração, poderemos resgatar os natais já vivenciados, recapitular a história pessoal e identificar o que me falou mais, por que me tocou, o que tinha de relação com Deus e com a vivência do Evangelho, trazer as pessoas e rezar por elas.
Em seguida, deveremos voltar o olhar para o presente: como vou passar este Natal? O que farei? Quais os planos para o meu Natal Novo? Reconfigurar o olhar: não são os planos para o Ano Novo, mas sim, para o Natal presente e, daí, para os natais futuros. O que desejo que se concretize no próximo Natal? A proposta consiste, então, em fazer uma caminhada por meus natais passados, focalizar o meu Natal hoje e, a partir daí, sentir o apelo que vem para o futuro.
Encerramos esta manhã de oração com a Celebração Eucarística presidida por Pe. Marcelino, SJ.


NATAL 2010...

A foto mostra o Presépio do CIES neste ano de 2010, confeccionado por Mírian com folhas de jornal para se fazer instrumento e anunciar a notícia que nunca envelhece:
NASCEU-VOS HOJE UM SALVADOR QUE É O CRISTO SENHOR! (Lc 2,11).

É, também, um convite à interatividade, ao diálogo com esta Criança, que vem para ser Caminho, apresentar a Verdade e promover a Vida em plenitude; por isso, somos convidados/as a deixar a nossa notícia-prece nos pés deste Menino Deus, escutar os sinais e confiar!

Face a esta proposta, transcrevemos, aqui, a reflexão de Mariza:

O Natal mais uma vez está chegando...
Estamos no Advento, tempo de preparação para a vinda do Senhor.
Parece que o nosso coração começa a dar sinal de que é chegada a hora da faxina, da limpeza, para dar lugar ao que temos de melhor, o que mais brilha em nós.
Receber Jesus nessa manjedoura cordial é algo que transcende as luzes e decorações dos shoppings e árvores de Natal.
Você realmente deseja preparar esse "coração manjedoura"?
Lembremos que o PERDÃO é a experiência humana mais profunda e a única que nos leva à verdadeira cura. Será que podemos hoje repetir o que Jesus disse há dois mil anos: "Perdoa, Pai, porque eles não sabem o que fazem" ou desejamos continuar rígidos, sempre achando que o outro é o culpado e que necessita chegar, humildemente, aos nossos pés, pedindo perdão?
A nossa prece exige a especificidade do que se está, realmente, pedindo, com o compromisso de se manter alerta à graça divina, ou seja, o esforço pessoal direcionado e atento à GRAÇA. Para retirar o lixo, o mofo e a poeira da nossa casa material, usamos vassoura, água e detergentes. Para faxinar o nosso coração, precisamos de silêncio, escuta e muita humildade.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Posse no CIES




O Centro Inaciano de Espiritualidade Nossa Senhora da Estrada estava radiante na manhã do dia 28 de outubro, quando a Equipe se reuniu a representantes da CVX, do CAV e outros amigos para a Celebração Eucarística que marcava a saída de Pe. Sérgio José,SJ, destinado ao México para cumprir a 3ª Provação e a chegada do Pe. James Roberto,SJ, que assumiu a Direção do CIES.

A alegria, a descontração e o clima fraterno harmonizavam com a simplicidade das falas ao expressar gratidão a Pe. Sérgio e o acolhimento esperançoso a Pe. James, que respondeu às nossas duas perguntas:
1) O que o move para esta missão?
— “Move-me o desejo sincero e o querer da Escuta da palavra de Deus em busca da verdade e da sua Santíssima Vontade, a fim de colaborar com o melhor que tenho para somar, profundamente, com o CIES”.
2) O que espera?
— “Espero que todos que nos procurem encontrem um coração cheio do Amor de Deus, e que também façam esta belíssima experiência à maneira de Maria Santíssima, no Magnificat, para também sentir-se nas mãos do Senhor, como Inácio na sua oferta generosa: Tomai e Recebei...”
E, direto de Guadalajara, México, a fala de Pe. Sérgio:
1) O que me movia para a missão no CIES: "acreditar na importância da espiritualidade inaciana para as pessoas";
2) O que espero: "é que possamos cada vez mais oferecer este instrumento para todos as pessoas, e que o CIES seja mais e mais eficiente nesta missão, dentro e fora de seus muros ..."

Assim, permaneçamos unidos em oração, buscando “em tudo amar e servir”!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre a Oração de Contemplação



Manhã de Espiritualidade 24/10/2010


Numa bela e ensolarada manhã de domingo, estiveram reunidas com o Pe. Pedro Maione cerca de 50 pessoas, inclusive jovens, que escolheram deixar o lazer e outros afazeres, para participar deste encontro de espiritualidade no CIES, quando o jesuíta falou sobre a Oração de Contemplação, alertando-nos que contemplar não é olhar e que, para contemplar, não podemos ter pressa, é preciso parar, sentir... Numa referência a Santa Tereza D’Ávila e ao encontro de Jesus com Marta e Maria, refletiu que a vida moderna não permite isso, porque estamos sempre preocupados e agitados, estas são as características do ativista.
Para fazer uma oração, é preciso prepará-la e recomendou que se escolha um autor sagrado por vez e, ao orar, lembrar de fazer sempre a repetição onde sentir o toque de Deus, quer seja pela consolação ou pela resistência. Alertou que alguns textos bíblicos são mais difíceis para a contemplação, a exemplo de Mt 1, 1-17, onde a relação dos nomes não ajuda, já que retrata homens e mulheres que são um desastre moral, mas poderemos, a partir daí, contemplar que Jesus é um de nós, ele não escolheu a elite, ele se aniquilou até nos seus antepassados. Assim, ficar diante de Jesus, pedir perdão e amor. Ficar diante Dele apenas querendo amar, pois o Senhor se fez nada... Por que, então, eu sou tão soberbo, orgulhoso? Na verdade, eu sou uma gotinha de água que, no Ofertório, se perde no sangue Dele.
Na oração contemplativa, só preciso amar e me deixar amar = “tuificados”, como a mãe que fica perto do recém-nascido quando está dormindo. A meditação deve levar à contemplação. Para exemplificar, tomou Lc 1, 1-38, ressaltando o “Faça-se” de Maria: este “Faça-se” faz cair o véu e, assim, me entrego a Ele. Também recordou a oração “Alma de Cristo”, cujo terceiro pedido deveria ser traduzido como Alma de Cristo embriague-me. Embriague-me de amor. Em Lc 2, 6-7, destacou que é o Filho de Deus que nasce numa manjedoura e não num palácio... Fico lá e me perco, sem palavras, me tornando pequeno, despindo-me do orgulho, da prosopopeia... Santo Inácio fala para tornar-nos um escravinho indigno para servir, estar às ordens.
Prosseguindo, convidou-nos a exercitar a oração contemplativa, fazendo um tempo de oração pessoal, com o texto da Anunciação (detendo-nos no “Faça-se”) ou do Nascimento de Jesus (diante do Menino).
Na ressonância da oração, lembrou que a partilha é um gesto de fraternidade, para não guardar para si. Em seguida, destacou a figura de São José, padroeiro da vida interior, Doutor do silêncio, o homem que desaparece. A Escritura não fala em José, só Maria o coloca em primeiro lugar, quando diz a Jesus no Templo: “Não sabíeis que teu pai e eu estávamos preocupados?”. Podemos pedir a São José a graça de ser contemplativos e pensar José com Maria, contemplando o Menino, na Gruta... Quanto silêncio e quanto amor!
O nosso desafio é transformar a reza em oração, quando tudo desaparece. Contemplar Nazaré → a casinha de Nossa Senhora → o diálogo → a resposta de Maria... Deus está presente aqui. Deus não está no céu, Ele está aqui e onde Ele está é o Paraíso, por isso a necessidade da reverência e do ato de adoração!